O menino e a Sombra
Atualizado: 11 de set.

Escondido no fundo de um poço
O menino escapou da chacina
Lá debaixo escutou o alvoroço
E os gritos que vinham de cima
Era um poço antigo e seco
Com o fundo cheio de barro
E de frente ao garoto, um espelho
Esquecido ali, encostado.
Lá de cima o povo gritava:
“Acabou-se! É o fim dessa era.”
Enquanto a Lua se apagava
E seu brilho sumia da terra
A criança, sem entender nada
Suspirou uma pergunta sincera
“Mas, por que que os tempos terminam?”
Questionou o pequeno inocente.
De dentro do espelho no poço
Uma sombra falou de repente:
“Toda era espera um final
Conforme manda o compasso
Do arcano regente atual
Majestade das casas de astros
Que reina uma corte de estrelas
Da estrada dos mortos, no céu
Dançando nos arcos das luzes
De onde brilha o seu carrossel
Mas ninguém governa para sempre
Tanto aqui, quanto embaixo ou lá em cima
Quando cai o astro vivente
A Era do Arcano termina
Aproveito esta nossa boa prosa,
Pra deixar-te um soturno aviso
De que muito em breve vem vindo
O senhor do divino juízo!
Que vem pra tocar teu destino
Pra levar-te direto pro abismo!”
E o menino quebrou o espelho
Assustado com a voz do umbral
Mas os cacos seguiram falando
Mil vozes cantando em coral
“É o fim da era prateada
Da celeste rainha sereia
Toda luz de sua estrela, usurpada
Logo se desfará como areia
E a estrela nortenha que é fria
Já chegou pra roubar sua centelha”
Dito isso, as vozes se calaram
E o menino na escuridão dormiu
Estirado sobre lascas que cortavam
Tão exausto, o pequeno nem sentiu
Em seu sonho, finalmente entendeu,
Naquela noite foi o mundo que morreu.
E quando um novo dia amanheceu,
A estrela fria é que estava em apogeu.
Na fogueira os beatos confirmam:
São tempos de extrema má sorte.
De um arcano deveras terrível,
Até mesmo pior que o da Morte
O bardo já anda entre a gente
E é bom que você se comporte
Não queira ouvir o berrante
“Que Xico Curinga dê sorte!”



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